Novo medicamento pode mudar modelos no tratamento do câncer de mama


O fármaco trastuzumabe já foi cadastrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e é dedicado ao tratamento de câncer de mama tipo HER2-positivo

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 600 mil pessoas morrem de câncer de mama todos os anos no Brasil. Nesta edição do Pílula Farmacêutica, a acadêmica Giovanna Bingre, orientada pela professora Regina Andrade da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, fala sobre um novo medicamento aprovado pela Anvisa para tratamento do câncer de mama, o trastuzumabe.

Giovanna explica que o medicamento, já cadastrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é especialmente direcionado a pacientes diagnosticados com câncer de mama do tipo HER2-positivo, isto é, pacientes que possuem um nível elevado de receptores de crescimento nas células mamárias. Esses receptores aceleram o processo de crescimento da pele e consequentemente agravam o câncer. 

A alteração na divisão das células é que causa o câncer, a alteração em si pode acontecer por diversos fatores, genéticos ou associados ao estilo de vida, explica acadêmica, “o consumo de cigarro e álcool, ingestão de agrotóxicos e exposição constante à radiação e poluição” são comportamentos relacionados ao desenvolvimento do câncer. Giovanna conta que, “com a divisão mutada, as células se multiplicam de forma desordenada e crescem muito, formando um tumor, que nesse caso, está localizado na região do seio”.

O câncer de mama tipo HER2-positivo é muito agressivo, geralmente acompanhado dos piores prognósticos. Eles são responsáveis por 20% dos casos de câncer de mama, conta a acadêmica. Por conta de sua agressividade, o tumor não possui uma diretriz sólida para o tratamento. O médico oncologista recomenda o tratamento de acordo com as características de cada tumor e paciente.

O trastuzumabe, junto com a quimioterapia, pode ser considerada uma nova primeira linha de tratamento. Segundo Giovanna, esse caminho oferece melhora para aproximadamente 15% das pacientes.


O medicamento

Segundo a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão do Ministério da Saúde responsável por avaliar e recomendar medicamentos e tratamentos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), trastuzumabe entansina é uma combinação de um anticorpo com uma droga capaz de inibir o crescimento desordenado das células cancerígenas. Assim, Giovanna acredita que o anticorpo utilizado “ajuda o sistema imune a encontrar as células cancerígenas e potencializa o tratamento, fazendo com que ele vá diretamente ao alvo”.

Comuns no tratamento do câncer, os efeitos colaterais dos medicamentos ainda estão presentes no novo fármaco. “Até 40% das pacientes sofrem com efeitos adversos após a primeira administração do trastuzumabe e eles incluem febre, calafrios, náusea, vômitos, astenia, dor local e cefaleia, entre outros”, conta a acadêmica. Após a remissão da doença, o sistema de saúde orienta que o paciente passe pelo menos cinco anos em acompanhamento médico.

Giovanna lembra que o mês de outubro é especialmente dedicado ao câncer de mama. Como um bom tratamento e um bom prognóstico são muito mais prováveis quando a doença é descoberta nos primeiros estágios, a acadêmica alerta para a realização de exames “na frequência correta, principalmente após os 35 anos”.


Da Redação / Com informações Jornal da USP


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