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Tatum O'Neal aos 10 anos depois de vencer o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, em 1974 — Foto: Getty Images |
Imagina ter só 10 anos e já ganhar uma estatueta do Oscar. Foi o que aconteceu em 1974 com a então pequena Tatum O’Neal. Estrelando no filme Lua de Papel (1973), a garotinha conquistou uma indicação na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante - apesar de críticas que afirmavam que ela deveria ter sido indicada para o prêmio principal, o de Melhor Atriz.
Antes dela, no entanto, a atriz mirim Shirley Temple (Bright Eyes, 1934), de apenas 6 anos, já tinha subido no palco da cerimônia para receber o prêmio, mas na época a competição era dividida entre adultos e crianças, e ela ficou com o Prêmio Juvenil da Academia (que deixou de existir em 1961).
Por isso, a vitória de Tatum é um marco até hoje por ser a mais jovem da história a vencer um Oscars. Mas não sem uma grande sequência de tragédias envolvidas. Anos mais tarde, ao publicar sua biografia Uma Vida de Papel, Tatum descreveu que, para ela, a indicação foi um trauma, mais do que um triunfo.
Ambientado durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, em 1929, Lua de Papel foi dirigido por Peter Bogdanovich. A trama conta a história de um vigarista chamado Moses Pray (interpretado por Ryan O’Neal, justamente o pai na vida real de Tatum), que viaja pelo país aplicando golpes, até cruzar o caminho de uma menininha chamada Addie (Tatum O’Neal).
Enquanto a relação dos dois na telona emocionou, na vida real a situação era outra. Ryan havia se viciado em drogas e era agressivo. Quando a filha recebeu a notícia que havia sido indicada na premiação, ele surtou de ciúmes e ressentimento, e deu um soco em Tatum. Para ele, era inadmissível que ela havia sido indicada e ele não.
Por isso, ao invés de celebrar a conquista, ela narra que apenas bloqueou o episódio e não se lembra de nada. Ao receber o Oscar, ela apenas falou: "Tudo que quero agradecer é ao meu diretor e ao meu pai. Muito obrigada”.
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Ryan e Tatum O'Neal — Foto: Getty Images |
Já Ryan acusava a filha de ser preguiçosa e ter se aproveitado dele, tendo “tomado conta do filme”. No entanto, ainda em sua biografia, a atriz conta que depois da vitória, o pai passou a agir com um certo orgulho, “como se ele de repente visse que havia valor em ter uma filha vencedora do Oscar”, escreveu. Na mesma época em que ganhou a estatueta, a mãe de Tatum, a também atriz Joanna Moore, vivia um drama pessoal ao se tornar alcoólatra e dependente química.
“O sentimento que mais associo à vitória no Oscar é uma tristeza avassaladora por ter sido abandonada pelos meus pais — ambos, pois minha mãe permaneceu em silêncio — mais uma vez”
A falta dos pais e os abusos sexuais, que posteriormente declarou ter sido vítima, fizeram tanto a carreira quanto a vida pessoal de Tatum O’Neal decair. Não teve outro papel de tamanha expressão e também se viciou em drogas pesadas, como a heroína, a ponto de tentar tirar a própria vida três vezes e sofrer, em 2020, um AVC por causa de uma overdose medicamentosa. Após um mês em coma, acordou sem nem conseguir falar, mas foi reaprendendo com o tempo.
Já Ryan O’Neal morreu de insuficiência cardíaca em 2023. Pai e filha nunca conseguiram recuperar a relação, apesar das tentativas.
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Tatum O'Neal aparece em registro raro, postado em julho de 2024, ao lado da filha — Foto: Reprodução/Instagram |
Fonte: GQ