PF investiga grupo que escondia cocaína em cargas de frango congelado em portos


Operação Iceberg cumpre 14 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão em três estados. Grupo movimentou R$ 450 milhões em três anos.

Drogas foram apreendidas em meio a cargas de congelados — Foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal cumpre 14 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão, nesta quinta-feira (20), em uma operação que busca desarticular um grupo de traficantes investigado por ocultar cocaína em cargas de alimentos congelados exportadas a partir de portos de Santa Catarina.

Segundo a PF, os suspeitos usavam a estrutura de empresas de logística para esconder a droga. Em três anos, conforme a investigação, o grupo que financiava as atividades dos traficantes movimentaram cerca de R$ 450 milhões em contas bancárias.

As investigações começaram após apreensão de três cargas de cocaína em países africanos, em dezembro de 2022, que estavam escondidas em meio a remessas de frango congelado exportadas do porto de Itapoá, no Litoral Norte (veja mais abaixo).

Entre os investigados estão cooptadores, operadores financeiros e financiadores das atividades ilegais, segundo a PF.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e estão sendo cumpridos em Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
  • Itapoá (SC)
  • Garuva (SC)
  • Rio do Sul (SC)
  • Curitiba (PR)
  • Paranaguá (PR)
  • Sorocaba (SP)
  • Quadra (SP)
A Justiça também autorizou o sequestro de veículos, seis imóveis e o bloqueio e congelamento de contas bancárias vinculadas a 17 pessoas físicas e jurídicas. Até as 8h55, não havia balanço dos bens sequestrados.


Investigação

As investigações começaram em dezembro de 2022 após a apreensão de três cargas de cocaína na Líbia, Libéria e Serra Leoa. Nos três casos, a droga estava escondida em meio a cargas de frango congelado exportadas do porto de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina.

"Além disso, todas essas caragas haviam sido manipuladas em uma empresa de logística, o que levou a Polícia Federal a suspeitar dos trabalhadores dessa empresa", informou o delegado Alessandro Netto Vieira, coordenador da operação.

🔴A investigação chegou a um grupo de trabalhadores da área de logística e exportação de alimentos congelados, com acesso a informações sobre destino de cargas e dados de embarcações, que aproveitava a logística do local para ocultar o entorpecente.

"Nessa condição, eles tinham acesso a informações privilegiadas, número de contêineres, dados de embarcações. Tudo sem conhecimento das empresas envolvidas", completa.

O grupo também atraia funcionários de outras empresas de logística de alimentos congelados para viabilizar o tráfico a partir de outros portos, como o de Paranaguá, no Paraná.

O núcleo financeiro do grupo realizava os pagamentos dos envolvidos nos serviços ilícitos por meio de empresas de fachada. A movimentação bancária identificada, incluindo todos os grupos, entre 2022 e 2024, chegou a aproximadamente R$ 450 milhões.


Empresas desconheciam, diz PF

Conforme a Polícia Federal, a atividade criminosa ocorria sem o conhecimento das empresas exportadoras e importadoras legítimas, e causaram prejuízos milionários, que inclui a interrupção de negócios com países africanos.

Sem saber que a carga estava contaminada com droga, segundo a PF, dois representantes de uma importadora da Líbia haviam sido presos suspeitos de tráfico internacional, enfrentando o risco de prisão perpétua. Eles foram libertos após a Polícia Federal esclarecer os fatos à Justiça local.

Os investigados responderão por tráfico de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico e lavagem de dinheiro, segundo a PF. As penas variam de 3 a 20 anos de reclusão.

Fonte: G1




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